sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Poema de Sete Faces -Carlos Drummond de Andrade

                                                Quando nasci, um anjo torto
                                                Desses que vivem na sombra
                                         Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida



                                                       As casas espiam os homens
                                                      que correm atrás de mulheres
                                                        A tarde talvez fosse azul
                                                       Não houvesse tantos desejos

                                                  O bonde passa cheio de pernas
                                                   Pernas brancas pretas amarelas
                                   Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração
                                                         Porém meus olhos
                                                        Não perguntam nada

                                                   O homem atrás do bigode
                                                    É sério, simples e forte
                                                      Quase não conversa
                                                   Tem poucos, raros amigos
                                           O homem atrás dos óculos e do bigode


                                             Meu Deus, por que me abandonaste
                                                  Se sabias que eu não era Deus
                                                   Se sabias que eu era fraco

                                                 Mundo mundo vasto mundo
                                              Se eu me chamasse Raimundo
                                          Seria uma rima, não seria uma solução
                                                 Mundo mundo vasto mundo
                                                 Mais vasto é meu coração

                                                        Eu não devia te dizer
                                                           Mas essa lua
                                                          Mas esse conhaque
                                          Botam a gente comovido como o diabo

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Poema e video Carlos do Drummont- No meio do caminho

Carlos do Drummont-

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra










sexta-feira, 1 de julho de 2016

Machado de Assis

A uma senhora que me pediu versos

Pensa em ti mesma, acharás
Melhor poesia,
Viveza, graça, alegria,
Doçura e paz.

Se já dei flores um dia,
Quando rapaz,
As que ora dou têm assaz
Melancolia.

Uma só das horas tuas
Valem um mês
Das almas já ressequidas

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Características literária de Guiné-Bissau

Característica literária:

A literatura oral e escrita da Guiné-Bissau é pouco conhecida. Subsiste, mesmo no período colonial alguma recolha diminuta e crítica quanto à complexa realidade literária e exuberante deste pequeno torrão, com uma superfície de 36.125 km2 e albergando no seu interior diversas comunidades, a saber: manjacos, papéis, Bijagós, felupes, balantas, mandingas, etc. durante o ano 74 (independência do país) o país também não conheceu grandes desenvolvimentos no campo literário. Todavia, reportando-nos ao quadro mais profundo da nação guineense é possível destacar momentos ou períodos literários de grande projecção: o período ante - colonial. Poder-se-á designar de literatura tradicional, oral e comunitária. São exemplos desta riqueza ou património as formas: adivinhas, contos, lendas, histórias que se contavam e ainda se contam nas tabancas, nos bantabás (locais de encontros culturais) ou ao ar livre, debaixo dos poilões (árvore grande, simbólica e representativa da comunidade). É a literatura anónima (pois reside fundamentalmente na transmissão pelos velhos) e sem registo de nomes ou alcunhas

Poema(Guiné-Bissau)

Tony Tcheka( António soares lopes). 

A prometida
Dóli só
Djena sem ninguém
do romance inocente
a tragédia bacilenta
papá homem grande
se meteu
uma vaca
um saco de farinha
um tambor de cana
umas folhas de tabaco
a permuta
a prometida
três
dias
depois
da lua
com fome de amor
boca acre não come
com sede de ternura
garganta seca rejeita água
as lágrimas engrossam
e rolam
no rosto macilento
Djena dezassete chuvas
Djena uma vida por viver
Djena a prometida
Djena mulher de hoje
tem fome
não come
tem sede
não bebe
corpo de mulher
inerte como o silêncio
firme como a recusa
repousa intacta
num sono inviolável
(in Vozes poéticas da lusofonia,Sintra, 1999)

História de Guiné-Bissau

Pré-história

Durante a pré-história o País era habitado por povos florestais e as primeiras evidências da vida humana (ferramentas e outros produtos manufacturados) foram descobertas na África Ocidental, incluindo na Guiné-Bissau, 200.000 anos A.C. Estes produtos manufacturados são atribuídos à Homo erectus, o antecessor de Homo sapiens (homem contemporâneo).

História


Os Mandingas invadiram a Guiné-Bissau no século 13 A.C. e fundaram o reino de Gabú (conhecido por império de Kansalá), vassalo do império do Mali no século 15.

Chegada dos europeus


O navegador português Nuno Tristão descobre as costas da Guiné-Bissau em 1446 e a partir de 1450, os navegadores faziam o comércio dos escravos, do ouro, do marfim e das especiarias com este País. O monopólio dos portugueses terminou fim do século 17 quando comerciantes ingleses, holandeses e franceses começaram a interessar-se também pelo comércio dos escravos. A partir dos séculos seguintes, os territórios em redor da "Guiné Portuguesa" tornavam-se propriedade francesa e inglesa.

Porque da língua portuguesa no Guiné-Bissau e na África.

Porque da língua portuguesa em Guiné-Bissau?

Fala-se português na Guiné-Bissau pelos mesmos motivos que se fala português no Brasil.
A Guiné-Bissau foi uma colónia de Portugal desde o século XV até à sua independência, em 1974 (depois do 25 de Abril). Actualmente faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), das Nações Unidas, dos PALOP e da União Africana.


Porque língua portuguesa na África?

Em Angola e Moçambique, onde o português se implantou mais fortemente como língua falada, ao lado de numerosas línguas indígenas, fala-se um português bastante puro, embora com alguns traços próprios, em geral arcaísmos ou dialetalismos lusitanos semelhantes aos encontrados no Brasil. A influência das línguas negras sobre o português de Angola e Moçambique foi muito leve, podendo dizer-se que abrange somente o léxico local.

Nos demais países africanos de língua oficial portuguesa, o português é utilizado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. Nas situações da vida cotidiana, são utilizadas também línguas nacionais ou crioulos de origem portuguesa. Em alguns países, verificou-se o surgimento de mais de um crioulo, sendo eles, entretanto, compreensíveis entre si.
Essa convivência com línguas locais vem causando um distanciamento entre o português regional desses países e a língua portuguesa falada na Europa, aproximando-se em muitos casos do português falado no Brasil.